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Uma visita inesperada

por LA DIVA, em 12.08.14

9h

 

 

Diva, onde é que andas? Preciso de falar contigo. Urgente!

 

Para a Raquel é assim:

Ou apanhas a onda, ou ela apanha-te a ti!Qualquer surfista conhece esta lei. Mas, como ela dizia, uma lei nem sempre é cumprida como deve.

Devolvi-lhe o sms:

 

Estou. férias. procura raízes.

 

Ligou-me de imediato:

 

-          Ótimo! Vou ter contigo. Ainda há ferros-velhos nos subúrbios, certo?

-          Hã?! Olha, isto é o campo, não é...

Já tinha desligado.

-       Porra! – praguejei. - Em que é que esta maluca se meteu agora?

 

 

12h

 

-          O banco leiloou-vos a casa? – perguntei, estupefacta. – Então, mas o Pedro...

-          Há que tempos que não pagávamos o empréstimo ao banco.

-          E não tentaram renegociar a dívida? – perguntei.

Havia casos em que era possível.

-          Não. O Pedro vai trabalhar para Londres.

-          E tu?

-          Eu? Eu fico, claro. Sabes de algum sítio para fazer surf, em Londres?

-          Aposto que é por isso que ele se vai embora – disse eu, com malícia. – Adivinhei?

-          Ora, que pesadelo de homem. Sempre a resmungar por ter de ficar na areia à espera que eu me

fartasse das ondas.

       Desatei a rir. Havia muitas miúdas a queixarem-se do mesmo em relação aos namorados, surfistas.

-          Para a próxima é melhor arranjares um surfista. Vivem numa carrinha e, a não ser que tenham

de partilhar a prancha à vez, há de tudo correr bem.

Não dava mais de duas semanas para a Raquel arranjar um novo namorado. Surfista ou sem ser

surfista, ela era daquelas que facilmente fazia qualquer mulher conhecer a inveja e o azedume com aquela pergunta inútil do ‘como é que ela consegue?’ Com a Raquel não valia a pena procurar receitas. Ela era assim, naturalmente encantadora. Quer dizer, ao princípio. Porque, os casos dela duravam sempre pouco tempo. Inexplicavelmente. Ou, nem por isso. Mas, adiante.

Desta vez, ela tinha outros planos. Não ia querer desforrar-se comportando-se, como ela dizia, dessa maneira tão tipicamente masculina de ir afogar a dor da separação nos braços de uma nova conquista. 

-          Não. Não quero mais homem nenhum na minha vida, pelo menos, durante....

-          Até ao Natal – disse eu. – Dou-te até ao Natal para...

-          Podemos mudar de conversa, se fazes favor? – resmungou ela, aborrecida. – Não vim aqui ter

contigo para falarmos de homens, esses grandes estupores.

-          Ok. Então?

-          Diva, tens de me ajudar.

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publicado às 11:24



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