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TER OU NÃO TER ... glamour

por LA DIVA, em 15.08.14


Um batom caro é um bom investimento para qualquer mulher. E, se for suficientemente esperta, na primeira noite que o usar para um jantar romântico, deixará que o parceiro pague a conta. Pelo menos, se este for um homem inteligente.

É que esses gostam sempre de um toque clássico e glamoroso.
Como nos filmes!



Pois era mesmo um batom bang bang! Mas... faltava-lhe qualquer coisa.

Este vai fazer com que a sua boca fique mais carnuda e sensual, disse-me a vendedora, quando me apanhou em flagrante a namorar o bang bang cor de cereja. São as cores da nova coleção, que acabou de chegar à loja.

É hidratante? –perguntei, examinando-o.

A vendedora queria ajudar-me e pôs-se ela a ler a embalagem elegante. A letra era um bocadinho pequenina e ela não conseguiu ver nada. Só sabia que era vermelho-cereja e que me ia ficar bem. A cor era bonita, isso via-se, nem era preciso ler.

Perguntei-lhe:

Sabe a cereja?

Não sabia dizer-me porque não tinha permissão para provar um daqueles, que custam assim uma fortuna. Ainda por cima, era logo da nova coleção. Não, nem sequer havia ainda um para amostra. E aquele era mesmo muito caro. Custaria os olhos da cara para o possuir.

Bom, de que é que serviria um batom na boca se ficávamos sem olhos?



Deixe estar - disse eu. Sou muito esquisita com os batons. Sabe, como é uma coisa que vai para a minha boca, eu gosto sempre de saber primeiro a que é que sabe.

Neste caso, a boca também come.
A vendedora ficou com pena de não me vender aquele bang bang cereja. Mas a verdade é que eu não tinha conseguido identificar aquele qualquer coisa que estava a sentir faltar-lhe, a ele ou a mim.

Voltei a casa, equipei-me, e saí para o jogging do dia.



Quando se corre na rua, há uma data de coisas que podemos observar, embora a uma velocidade maior.

Eu já as tinha visto, ali, polpudas e cor deslumbrante. Lá nisso a vendedora estava certa. Na minha boca aquela cor.... Estou mesmo a ver o filme.

Entrei no cerejal e senti-lhes de imediato o frémito do perfume. Doce, ligeiramente ácido, irreverente e exótico. Para ser perfeito um batom tem de me elevar para um patamar de sensualidade experimentada, orgânica. De contrário é um Photoshop dos sentidos.

Toquei numa. Estava quente, o sol a bater-lhe. O tal toque de luminosidade de que falava a vendedora de batons.

O dono do cerejal observou-me a volúpia, a cobiça. Qualquer um perceberia que o que eu queria era trincar.

Quer provar? – perguntou-me ele.

Temos de ter um certo cuidado, sobretudo ao ar livre, porque a volúpia é contagiante e nunca se sabe. Mas, sim, eu nem me importava com isso, desde que ele me deixasse comer, pelo menos, uma.

Pode apanhar e provar - ofereceu ele.

Que adorável agricultor.
Provar é experimentar. Senti-me como quando na modista provamos o vestido, antes dos acertos definitivos. ​​​​​

...

Uma diva é uma criatura gulosa! E isso é impossível disfarçar. Salta aos olhos de qualquer um.
Claro que trouxe cerejas para casa, dentro de um saquinho de plástico.
O agricultor achou que eu era boa moça.
E sou.
E não tenho problema em entrar num campo e pedir para provar cerejas. Isso não é crime e é adorável. Se as lojas que vendem batons percebessem isso, que provar não é crime, vendiam mais batons caros. Tenho a certeza.
E nem era preciso cabines de provadores.
Ali mesmo junto aos expositores é que era.
A experimentação da volúpia.

...

À noite, vou fazer um doce com as cerejas. Não há que recear aumentar meio centímetro na barriguinha. Isso não vai acontecer. Bebi muita água, que é sempre ótima para detox. E também, já a contar com a gula, fiz mais duas corridas à tarde. Deu quilómetros que cheguem para queimar 615 kcal, mais ou menos aquelas que eu vou consumir.

Mas, o melhor de tudo, é a sensação de volúpia que senti a provar as cerejas da árvore. Era essa volúpia aquilo que faltava ao batom bang bang cor de cereja.

Moral da volúpia:

Uma diva tem de sentir a alma vibrar muito antes de os seus admiradores a pressentirem. Ela domina essa difícil arte de tocar a alma. Mas se nunca experimentou a volúpia há de ser um bocado difícil fingir. E a autenticidade, que tem um grande efeito cénico, é realmente arrebatadora. Por isso, divas, se sentirem que falta qualquer coisa ao que quer que seja, provavelmente, falta-se a volúpia dos sentidos experimentados. Não comprem, pelo menos, sem antes irem dar uma corridinha. Sempre dá para pensar antes de dar os olhos da cara, queima calorias e experimentam a formidável sensação da volúpia de se gostarem. E isso, não tem a imperfeição do Photoshop plasmado na cartolina da embalagem de compra à venda nos mercados.

Amanhã, conto-vos como se faz um pancake make-up tal e qual como as divas de Hollywood. E ainda como um imigrante polaco em Los Angeles, chamado Max Factor, inventou, o glamour dos anos 1950s, que fazem as divas adoráveis.

Boa noite!

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publicado às 19:57


1 comentário

De miak a 16.08.2014 às 01:07

Não percebo de batons. Então e a mini-casa da Raquel?

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