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O meu nome é DIVA. E sou portuguesa, com certeza.

por LA DIVA, em 05.08.14

I      Isidre Nonell, Dona Legint domínio público

 

 

início

 

 

 

 

 

Chamo-me Diva e nasci em Lisboa.

 

 

 

Mas o lugar onde nascemos não quer dizer grande coisa. Ou talvez queira, não sei. Tenho pensado no assunto, agora que o meu pai morreu e, nas férias, regressei onde cresci.

 

O meu pai, por exemplo.

Nasceu em Óbidos. É lá que estão os antepassados dele, que são também os meus. E há outros antes desses de quem nunca saberei nada porque nasceram muito antes de mim. Por isso, é legítimo que ande sempre a querer saber coisas como esta:

 

Quem és, Diva?

 

Quando nasci, fiquei só com o apelido do meu pai. Esqueceram-se do nome da minha mãe. Como se ficasse, por acaso, omitida de mim uma parte de mulher. Ainda por cima, uma parte muito próxima. Se calhar é por isso que procuro tanto perceber o que é ser mulher, apesar de ser mulher. Ou porque sou mulher, o que é tudo um pouco estranho, pois parece que tenho primeiro de perceber como os homens me veem enquanto mulher para perceber depois se concordo ou não com essa parte de mim que eles veem e, a seguir, decidir que caminho tomar. Talvez por isso é que este blogue, apesar de ser para mulheres, vá falar tanto de homens. É justo então que se quiserem também eles possam dar uma espreitadela, nem que seja só para verem como correm as coisas.

 

O meu pai não está sequer enterrado na vila onde nasceu porque fazia sentido que ficasse no lugar onde morreu, que fica mais ou menos a meio caminho entre Óbidos e Lisboa, que é também o sítio onde eu cresci, apesar de ter nascido, como disse, em Lisboa. Migrou para aqui quando tinha 14 anos. Depois foi para Lisboa e voltou para casa, que deixara de ser a casa onde ele tinha nascido. E, então, ele é mais daqui do que de qualquer um dos outros sítios. O que quer dizer que é sempre muito complicado tentar perceber quem somos a partir dos sítios onde estamos. É melhor tentar fazê-lo pelos sítios por onde passamos. Pelo menos, assume-se logo de início que as coisas são mais complicadas do que parecem. Ou, se calhar, até é o contrário. Quem dera saber.

 

Assim, é, de facto, muito difícil definirmo-nos perante quem nos quer conhecer. Quem somos, donde somos, para onde vamos. Passamos a vida a migrar, de lugar para lugar, de braços para braços, de relações para relações. Como os bebés quando são embalados. No final, o que quer que aconteça, acontece sempre a mesma coisa. Querem sempre saber quem somos. E, nessa altura, o que temos é só mesmo um nome. É uma malinha com muito pouca coisa para partir. Por isso, é que estamos sempre a migrar, mesmo de emoção para emoção. Tudo o resto temos de o descobrir por nós. Ou pelos outros.

 

Hoje vou ver este filme porque gosto muito da Hepburn e é por causa dela que a minha gata se chama Audrey.

 

 

 

http://youtu.be/TdTJ0bc6Hhw

 

 

O meu nome é Diva. E sou portuguesa, com certeza.

 

E esta é a primeira página do meu blogue.

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publicado às 14:26



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