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MEET ME IN ST. LOUIS

por LA DIVA, em 22.09.14

Por que me meti a convocar um ‘meet'?...

Ora...

Aborreciam-me as piadas que comecei a ouvir sobre a Raquel. Chamavam-lhe a mulher da árvore. As pessoas já andavam a fazer visitas. As crianças apontavam com o dedo e perguntavam:

 

‘Mamã, Papá, quem é que vive naquela casa na árvore?’

Era a oportunidade dos pais ensinarem as crianças a usar o martelinho da justiça. Com música, ainda. Mas as crianças percebem excelentemente quando o tom é sentencioso.

 

 

 

E havia sempre uma mamã tola ou um papáteta que dizia sentenciosamente:

‘Oh, querido (quando era rapazinho) é só a mulher do Tarzan.’

As crianças perguntavam logo quem era o Tarzan.

Se fosse menina, engoliam em seco primeiro e a língua já não se soltava com tanta imaginação, não fosse a criança ficar com ideias. Pelo menos, os rapazes sempre têm uma imaginação mais ativa e passam logo à ação. As raparigas, não. Ficam a matutar numa ideia e, passados anos, ela ainda pode lá andar, nunca se sabe. Não sei porquê mas todos os pais, mesmo os novatos, suspeitam disto. E como suspeitam que deve ser assim, nem se interrogam se pode ser de outra maneira. Por isso é que as superstições se propagam ano após ano, geração após geração.

 

Acho que foi isso que aconteceu com a Raquel. Quando era pequena, ela viu uma casa na árvore e quis um dia ter uma.

 

E teve.

 

Mas as pessoas olhavam para ela e para a casa dela como se estivessem no zoo. A Raquel não se ralou nada com isso. Nem deve ter reparado.

 

Mas eu reparei.

Ah, e também apareceu uma reportagem no ‘El Mundo’. Claro que foi aquela Pilar a autora. Por causa da Camila. Isso também não ajudou muito. Os portugueses sentiram-se ridicularizados. Já bastava o que a imprensa estrangeira andara a divulgar pelo mundo sobre o país nos últimos anos. Os condóminos, esses, ficaram muito satisfeitos.

Agora já podiam correr com a Raquel e demolir a casa dela.

Eu sei que, mais dia menos dia, a Raquel iria reparar em toda esta maledicência. E ia ficar muito triste. Eu conheço-a. Parece uma durona mas é uma lamechas. O coração dela é tão mole como uma pera rocha demasiado madura.

 

Então, tive a ideia do meet.

A senha era ‘Meet me in Sr. Louis’.

 

Quando as pessoas começaram a reunir-se, eram 18:00h, a polícia já lá estava. Disfarçada entre os meet@s. Deixaram tocar e cantar a música e depois vieram na minha direção. Senti-me um bofe. Daqueles a que a Audrey se atira logo quando chegam do talho.

 

O Ministério Público pediu 3 dias de prisão domiciliária para eu aprender a não arranjar meetings. A juíza decidiu que o meu comportamento era indigno de uma senhora.

Perguntou-me:

 

‘Acha que o seu marido aprovaria a sua atitude?’

 

Porra! Nem lhe respondi. Onde é que aquela tinha tirado o curso?

Ante o meu silêncio ela triplicou a sentença e acrescentou mais um dia extra.

Dez dias.

Acatei a sentença. Também em silêncio. Dessa vez ela não triplicou novamente. Podia ser porque já era uma conta difícil de fazer assim de cabeça.

Aposto que depois disto ela vai para os copos comemorar. Ou então vai para casa e conta tudo ao marido, ou ao companheiro, ou ao amante, ou à amante, ou à governanta, ou ao cão, ou ao gato, ou às paredes. Ou fica muda. Ela é uma juíza livre e pode contar ou não contar o que quiser a quem muito bem entender. Eu é que tenho de ir para casa porque em casa das mulheres há um marido.

 

Agora não vou saber nada do que se passa lá fora durante dez dias.

Quer dizer, já passaram três. Faltam sete.

Quando voltar a sair, a Raquel já deve morar num pão de forma com flores. A Maria Pesca-Tudo já dever ter publicado o artigo sobre as loucas do tamanho fálico. A Camila vai andar atarefada com as compras de cadernos e livros da Carlota. Atrasou-se, como sempre. A Carlota, claro que só quer agora saber é dos horários da escola, saber quanto tempo vai ter livre durante a semana. Nem valia a pena ela preocupar-se tanto. A mãe ou o pai hão de arranjar maneira de a encaixar numa aula de música. Se não der, vai para o ballet ou para o teatro ou para a sala de estudo.

 

A Sissi ainda não regressou de Bali. Ainda fica lá até ao Natal.

 

Até nem é mau porque fiquei com gripe. E vou ver filmes com a Audrey até me fartar, mesmo que não vá escrever no blogue.

 

Ou ler.

É bom.

 

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publicado às 16:02



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