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As malas de mão vão sempre borda fora...

por LA DIVA, em 26.08.14

... quando as coisas correm mal.

 

Às vezes, a Camila é um bocado lenta a perceber. Nisso, não se parece nada com o alter-ego, a Maria.

 

‘Não se aproveitou nada? Nem o sexo?’, perguntou a Camila.

‘Claro que aproveitou. Três vestidos pretos, um par de sapatos de salto alto, um estojo de maquilhagem novinho, nem te vou dizer a marca, a langerie italiana e o raio da clutch.

 

‘E arranjas lugar para tudo na casa nova?’. Esta foi minha.

‘Não. Vai tudo para o OLX.’

 

Tudo, exceto a clutch. Conheço a Raquel.

 

 

 

A Camila estava com a cabeça na lua e demorou a reagir.

‘Tu disseste que a casa estava cheia de brinquedos? Brinquedos sexuais, queres tu dizer...’

‘Não, querida, brinquedos-brinquedos... coisas de meninas pequenas... bonecas, casinhas, cavalinhos de baloiço, peluches, um triciclo... essas coisas.’

‘Meteste-te então com um tarado?... E fizeram sexo no meio desses brinquedos todos?...’

 

Tive de intervir. Na cabeça da Camila, às vezes, passam cenas esquisitas. Se elas passam para a cabeça da Maria Pesca-Tudo, há pelo menos umas 5.000 mulheres que vão ficar contaminadas, tantas quantas as leitoras das crónicas dela.

 

‘Não, linda.’ Era eu novamente. ‘Por que é que um homem separado da parceira, que ama a filha e faz o impossível para ficar com a custódia, tem de ser um depravado?’

 

‘Precisamente, é o que ele diz.’

‘Ele diz o quê, Raquel?’

‘Que a mãe da criança, ou alguém que vive com elas, abusa da menina. Mas isso não é coisa que o senso comum encaixe assim sem mais nem menos. Os depravados são sempre homens.

‘Quê?’

‘E ele não apresenta queixa contra a ex-mulher?’

‘Já o fez várias vezes. Diz que enquanto for uma juíza a decidir se a criança fica com a mãe ou com o pai, ele irá sempre perder. Agora, nem sequer tem direito a vê-la ao fim de semana.’

‘Em que é que ele se baseia para fazer essas acusações contra a juíza?’

‘Diz que ela já lhe disse isso na cara. E, realmente, por que é que uma juíza não há de ser uma cabra igual às outras e aos outros?’

‘Mas não achas que ela pode ter razão, quer dizer, essas coisas... tantos brinquedos em casa de um homem adulto, que vive sozinho, não acham isso um bocado esquisito?’

 

‘Ele não vive sozinho e tem namorada!... Ou tinha.’

A Raquel berrou isto.

Eu e a Camila ficamos sem fio de voz.

Então, ele tinha uma namorada? E onde é que a Raquel entrou na história?

 

‘Ela pôs-se a andar. Também já não aguentava viver naquela casa. E... QUEREM PARAR com a porra da conversa, por favor? Estou farta de vos ouvir. Estou farta desta história. Se quiserem, dou-vos o número dele e vão lá consolá-lo. Para mim, chega!’

 

Pronto! Hora do ‘borda fora’!

 

O ‘borda fora’ é um clássico da Raquel, que nós, a Camila, eu e a Sissi, quando esta está, comemoramos sempre juntas. É uma espécie de esconjuro do mal de amor. Quando corre mal, alguém ou algum objeto têm de pagar.

 

‘Bora lá, Raquel. ‘Tá na hora!’

Ela virou-se de costas para a amurada.

...

Um... dois... três...

‘Espera aí!’ gritou a Camila, angustiada. ‘Essa aí vale 159,00€...’

 

A Raquel nem a ouviu. A pequena bolsa, uma pequena maravilha da fútil arte dos objetos de engate de levar na mão, descreveu um arco perfeito e foi cair lá para baixo, num buraco oculto nas falésias.

 

Só um louco se arriscaria a descer para a apanhar.

 

A Raquel tem uma teoria para o uso destas malinhas que as mulheres adoram levar ao colo. Mas isso conto-vos depois.

 

Agora, vamos é voltar as três lá para dentro do bar e comemorar com mais uma.

 

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publicado às 20:54


1 comentário

De miak a 28.08.2014 às 00:00

Sweet. Again. Estou a viajar.

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